{"id":24846,"date":"2011-10-14T20:40:51","date_gmt":"2011-10-14T20:40:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=24846"},"modified":"2011-10-16T02:39:36","modified_gmt":"2011-10-16T02:39:36","slug":"entrevista-especial-padre-georg-sans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/entrevista-especial-padre-georg-sans\/","title":{"rendered":"Entrevista especial: Padre Georg Sans"},"content":{"rendered":"<p>Em 2011, a Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco celebra 60 anos de funda\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de solenidades e homenagens, a Unicap festejou seu sexag\u00e9simo anivers\u00e1rio produzindo conhecimento ao receber pensadores e acad\u00eamicos not\u00f3rios. O Padre Georg Sans \u00e9 um deles. O jesu\u00edta esteve em Pernambuco e concedeu entrevista especial ao Boletim Unicap. Formado na Faculdade de Teologia dos Jesu\u00edtas em Frankfurt e na Pontif\u00edcia Universidade Gregoriana em Roma, ele fez doutorado na Humboldt Universit\u00e4t em Berlim, onde tamb\u00e9m fez p\u00f3s-doutorado dedicados respectivamente a Kant e a Hegel. Desde o ano 2004 passou a ser professor de Hist\u00f3ria da Filosofia Contempor\u00e2nea na Gregoriana.<\/p>\n<p><strong><em>Boletim Unicap &#8211; O que possibilitou a sua vinda\u00a0\u00e0 Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco. Esta foi a primeira vez? Quais foram suas impress\u00f5es sobre o nosso campus universit\u00e1rio?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Georg Sans<\/strong> &#8211; A minha primeira visita ao Recife foi depois da chamada terceira prova\u00e7\u00e3o, um programa formativo dos jesu\u00edtas. Na verdade, estive na Unicap por alguns dias no come\u00e7o do ano 2009. Esta segunda estadia foi possibilitada pela colabora\u00e7\u00e3o com a Faculdade Jesu\u00edta de Teologia e Filosofia em Belo Horizonte, de modo que dei aulas nos dois lugares.<\/p>\n<p>A minha experi\u00eancia na Unicap \u00e9 extremamente positiva. A recep\u00e7\u00e3o tanto no curso de Filosofia, no Instituto Humanitas, quanto na comunidade dos padres jesu\u00edtas foi \u00f3tima. Gostei tamb\u00e9m do campus que fica bem no centro da cidade. Enfim, fiquei impressionado pelo grande interesse dos estudantes pelas quest\u00f5es filos\u00f3ficas.<\/p>\n<p><strong><em>B.U &#8211; Durante sua passagem pela Unicap, o senhor proferiu palestra e minicurso nos quais abordou conceitos de Hegel e Kant, dois pensadores de correntes opostas. O que o senhor destacaria nessas diferen\u00e7as?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>G.S<\/strong> &#8211; Se quiserem uma resposta muito esquem\u00e1tica, proponha o seguinte: Na palestra sobre Hegel, como pensador da ilustra\u00e7\u00e3o, apresentei um fil\u00f3sofo observador, quem analisa a hist\u00f3ria das ideias e a cultura da sua \u00e9poca. Pois lembra as grandes quest\u00f5es metaf\u00edsicas, esquecidas numa era marcada mais pelos discursos cient\u00edficos e uma vis\u00e3o inanentista do mundo. Kant, em compara\u00e7\u00e3o, \u00e9 um pensador construtivo, que investiga os princ\u00edpios \u00e9ticos do agir. Como ele acha que apenas o uso da raz\u00e3o distingue o homem dos outros animais, ele busca o fundamento da moral numa lei racional.<\/p>\n<p><strong><em>B.U &#8211; \u00a0Segundo Kant, a pregui\u00e7a e a covardia s\u00e3o as causas da \u201cmenoridade\u201d humana, estado no qual torna o homem incapaz de fazer uso de seu pr\u00f3prio entendimento. Tal conceito pode se aplicar\u00a0\u00e0 realidade humana atual quando nos referimos ao meio ambiente? O ser humano sabe que est\u00e1 degradando o planeta em que vive, mas em nome da raz\u00e3o econ\u00f4mica desconsidera perdas ambientais&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>G.S<\/strong> &#8211; A diferen\u00e7a entre maioridade e menoridade, de acordo com Kant, \u00e9 a diferen\u00e7a entre quem usa e quem n\u00e3o usa a raz\u00e3o pr\u00f3pria. Um problema da chamada raz\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 que muitas vezes \u00e9 apresentada como uma raz\u00e3o n\u00e3o do homem, mas do mercado, do progresso, das necessidades pol\u00edticas e semelhantes, ou seja, como um poderio impessoal ao qual as pessoas t\u00eam que se submeter. Quem acredita nesta lenda, se comporta como um menor de idade.<\/p>\n<p><strong><em>B.U &#8211; A quest\u00e3o dos valores sociais. Nietzsche disse que \u201cDeus est\u00e1 morto\u201d. Atualmente, a sociedade brasileira vive uma crise de valores morais e \u00e9ticos, sobretudo nas suas menores c\u00e9lulas: a fam\u00edlia. Casos de abuso sexual de pais para com filhos, alunos espancando professores dentro de escolas, bandidos que ferem a lei sem temor s\u00e3o cada vez mais frequentes. Essa premissa lan\u00e7ada por Nietzsche est\u00e1 presente no inconsciente coletivo?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>G.S &#8211;<\/strong> Talvez esteja, talvez n\u00e3o. Mas gostaria de por o acento de novo sobre a diferen\u00e7a entre a an\u00e1lise da cultura contempor\u00e2nea e a fundamenta\u00e7\u00e3o dos valores na raz\u00e3o humana. Se tiver uma crise da sociedade brasileira em geral e da fam\u00edlia em particular, ser\u00e1 superada na medida em que se fortalece o entendimento e a consci\u00eancia de cada homem e de cada mulher. Aqui vejo o papel espec\u00edfico da educa\u00e7\u00e3o e de uma universidade. Al\u00e9m disso, me parece bom distinguirmos \u2013 contra Nietzsche \u2013 cuidadosamente entre a falta de valores morais e a falta da f\u00e9 em Deus. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quem acredita em Deus que\u00a0pode reconhecer os valores \u00e9ticos e sociais, nem que os fi\u00e9is crist\u00e3os sempre ser\u00e3o os melhores homens. A quest\u00e3o dos valores, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um campo de esfor\u00e7o comum, assim como uma boa forma\u00e7\u00e3o deveria ser a preocupa\u00e7\u00e3o de toda a sociedade.<\/p>\n<p><strong><em>B.U &#8211; Diante do que o senhor percebeu durante os eventos dos quais participou na Unicap, quais suas impress\u00f5es a respeito da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica de Pernambuco, principalmente da Unicap?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>G.S &#8211;<\/strong> Al\u00e9m da contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos jovens de todas as classes sociais, percebi muitos esfor\u00e7os de responder \u00e0s quest\u00f5es atuais, especificamente aos diferentes desafios sociais. Acho \u00f3timo o interc\u00e2mbio com a Universidade Federal e com outras universidades no Brasil e no exterior. Como fil\u00f3sofo, n\u00e3o posso deixar de lembrar as tradu\u00e7\u00f5es das obras de Hegel pelo Padre Paulo Meneses, que ser\u00e3o ponto de refer\u00eancia pelas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Por\u00e9m, vi tamb\u00e9m a grande dificuldade dos professores a se dedicarem verdadeiramente ao trabalho de pesquisa e publica\u00e7\u00e3o, seja por causa da quantidade das aulas, seja pela dificuldade de acesso \u00e0 literatura cient\u00edfica. Ent\u00e3o, acharia desej\u00e1vel favorecer qualquer tentativa de refor\u00e7ar a aquisi\u00e7\u00e3o de livros e a obten\u00e7\u00e3o de revistas pela Biblioteca da Universidade. A este prop\u00f3sito queria tamb\u00e9m encorajar a aprendizagem da l\u00edngua inglesa para poder usufruir das fontes da Internet.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2011, a Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco celebra 60 anos de funda\u00e7\u00e3o. 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