{"id":24146,"date":"2011-09-29T03:44:08","date_gmt":"2011-09-29T03:44:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=24146"},"modified":"2011-09-29T20:53:05","modified_gmt":"2011-09-29T20:53:05","slug":"secretario-geral-da-fiuc-faz-palestra-na-catolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/secretario-geral-da-fiuc-faz-palestra-na-catolica\/","title":{"rendered":"Secret\u00e1rio Geral da Fiuc faz palestra na Cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_24291\" aria-describedby=\"caption-attachment-24291\" style=\"width: 645px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Carlos-Vieira-22-EDITADA.jpg?ssl=1\"><img data-attachment-id=\"24291\" data-permalink=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/secretario-geral-da-fiuc-faz-palestra-na-catolica\/carlos-vieira-22-editada\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Carlos-Vieira-22-EDITADA.jpg?fit=3922%2C2516&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"3922,2516\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;6.3&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;NIKON D5000&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1317064442&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;38&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;800&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.04&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Carlos Vieira (22) EDITADA\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Carlos-Vieira-22-EDITADA.jpg?fit=300%2C192&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Carlos-Vieira-22-EDITADA.jpg?fit=640%2C410&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-24291\" title=\"Carlos Vieira (22) EDITADA\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Carlos-Vieira-22-EDITADA-1024x656.jpg?resize=640%2C410&#038;ssl=1\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Carlos-Vieira-22-EDITADA.jpg?resize=1024%2C656&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Carlos-Vieira-22-EDITADA.jpg?resize=300%2C192&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Carlos-Vieira-22-EDITADA.jpg?resize=250%2C160&amp;ssl=1 250w, https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Carlos-Vieira-22-EDITADA.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Carlos-Vieira-22-EDITADA.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24291\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Carlos Vieira<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Secret\u00e1rio Geral da Federa\u00e7\u00e3o Internacional das Universidades Cat\u00f3licas (Fiuc), Prof. Mons. Guy-R\u00e9al Thivierge, fez palestra na noite desta segunda-feira (26), no audit\u00f3rio G1 da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, sobre a <em>Teologia na Universidade Cat\u00f3lica<\/em>.\u00a0A palestra \u00a0fez parte da programa\u00e7\u00e3o dos 60 anos da Unicap e foi promovida pelo Centro de Teologia e Ci\u00eancias Humanas (CTCH). Estavam presentes na mesa, al\u00e9m do palestrante, o Reitor, Prof. Dr. Padre Pedro Rubens; o diretor do CTCH, Prof. Dr.Degislando N\u00f3brega; o coordenador do curso de Teologia, Prof. Dr. Cl\u00e1udio Vianney Malzoni; e o coordenador do curso de Filosofia, Prof. Dr. Danilo\u00a0Vaz Curado. Confira abaixo o texto da palestra na \u00edntegra:<\/p>\n<p><strong>A TEOLOGIA NA UNIVERSIDADE CAT\u00d3LICA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Agrade\u00e7o, de todo cora\u00e7\u00e3o, \u00e0s autoridades desta universidade, especialmente, a seu Reitor, o Sr. Padre Pedro Rubens. Sinto-me muito honrado pelo convite para falar perante voc\u00eas hoje. Pe\u00e7o-vos desde j\u00e1 que me desculpem por n\u00e3o me poder dirigir a voc\u00eas perfeitamente na vossa bela l\u00edngua, o portugu\u00eas do Brasil. Mas contando com a vossa indulg\u00eancia, eu vou tentar!<\/p>\n<p>Nosso encontro est\u00e1 inserido no contexto das celebra\u00e7\u00f5es do sexag\u00e9simo anivers\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco. Em nome da Federa\u00e7\u00e3o Internacional das Universidades Cat\u00f3licas, \u00e0 qual pertence vossa universidade desde 1991, tenho o prazer de oferecer a todos os artes\u00e3os, passados e presentes, respons\u00e1veis por este magn\u00edfico sucesso que representa vossa institui\u00e7\u00e3o de ensino superior, nosso maior reconhecimento e felicita\u00e7\u00f5es mais sinceras e fraternas. Agrade\u00e7o especialmente \u00e0s autoridades que se comprometeram no apoio fiel e na colabora\u00e7\u00e3o ativa e generosamente oferecida \u00e0 vida e ao desenvolvimento de nossa Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m me informaram de que este ano marca ainda um momento importante na vida de vossa institui\u00e7\u00e3o: a da recep\u00e7\u00e3o dos estudantes de teologia de v\u00e1rias dioceses pr\u00f3ximas da cidade do Recife. \u00c9 um motivo de uma grande alegria, claro, que implica uma delicada transi\u00e7\u00e3o tanto para os pr\u00f3prios seminaristas, como para a universidade, mais especialmente para o departamento de teologia. Par uns, ser\u00e1 sem d\u00favida uma oportunidade para novos encontros, novas quest\u00f5es e novos posicionamentos relativamente \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o sacerdotal e \u00e0s necessidades do mundo atual e da Igreja; para outros, ser\u00e1 o momento de um aprofundamento da voca\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e eclesial da totalidade da comunidade universit\u00e1ria, que ultrapassa o departamento de teologia. Porque a teologia na universidade cat\u00f3lica deve ser um espa\u00e7o de discuss\u00e3o entre faculdades e departamentos, um ponto excepcional de enriquecimento de todos pela pr\u00e1tica da interdisciplinaridade, dos di\u00e1logos entre f\u00e9, culturas e religi\u00f5es, e f\u00e9 e ci\u00eancias. Tanto a uns como a outros, \u00e9 preciso desejar que tenham a aud\u00e1cia do encontro na busca humana, acad\u00eamica e espiritual da Verdade e da Sabedoria.<\/p>\n<p>Antes de abordar especificamente minha interven\u00e7\u00e3o sobre <em>A Teologia na Universidade Cat\u00f3lica<\/em>, parece-me importante, numa primeira fase, proporcionar alguns esclarecimentos sobre a situa\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da educa\u00e7\u00e3o, suas ra\u00edzes e suas evolu\u00e7\u00f5es. Numa segunda fase, falarei do bin\u00f4mio universidade-cat\u00f3lica, suas rela\u00e7\u00f5es com a sociedade civil e a Igreja, para finalmente terminar com o papel e o lugar da teologia na universidade cat\u00f3lica.<\/p>\n<p><strong>I &#8211; Tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em jeito de introdu\u00e7\u00e3o, coloco a quest\u00e3o seguinte: ser\u00e1 que existe uma pr\u00e1tica de educa\u00e7\u00e3o especificamente crist\u00e3? A quest\u00e3o \u00e9 a da originalidade pr\u00f3pria de uma pr\u00e1tica de educa\u00e7\u00e3o que se refere ao cristianismo. Em primeiro lugar, existe o reconhecimento da dif\u00edcil associa\u00e7\u00e3o entre a dimens\u00e3o existencial da f\u00e9 e a objetividade social das institui\u00e7\u00f5es eclesiais. E, ainda mais fundamental, haver\u00e1 um lugar pr\u00f3prio para a f\u00e9 crist\u00e3? Desde sua origem que ela se situa no campo das Escrituras hebraicas, aramaicas e gregas, das quais \u00e9 respons\u00e1vel pela interpreta\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, a f\u00e9 crist\u00e3 inscreve sua a\u00e7\u00e3o em in\u00fameros dom\u00ednios de atividades que n\u00e3o lhe s\u00e3o espec\u00edficos: por exemplo, a cultura, a educa\u00e7\u00e3o, a sociedade, as a\u00e7\u00f5es beneficentes e solid\u00e1rias, a pol\u00edtica (a democracia crist\u00e3), entre muitos mais. Manifesta-se neles atrav\u00e9s de uma maneira de ser, de fazer, um estilo, uma atitude, uma abordagem, uma vis\u00e3o e valores.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 essa variante crist\u00e3 que a f\u00e9 cria nas pr\u00e1ticas? Uma \u00e9tica crist\u00e3 caracteriza-se, entre outros, pelos limites ou acr\u00e9scimos que proporcionaria \u00e0s atividades privadas e p\u00fablicas. Como indica Michel de Certeau, &#8220;o crist\u00e3o seria aquele que, em suas tarefas, n\u00e3o iria al\u00e9m de determinados limites (pensem nos limites que imp\u00f5e o Dec\u00e1logo), ou que, ao contr\u00e1rio, ultrapassaria as marcas da normalidade estatut\u00e1ria por supererroga\u00e7\u00f5es ou excessos (amar sem limites, perdoar setenta e sete vezes). Um conjunto de paralisa\u00e7\u00f5es ou de excessos resultaria das interven\u00e7\u00f5es crist\u00e3s; elas poderiam desde logo ser caracterizadas como um trabalho sobre o<em> limite<\/em>. Por\u00e9m, este varia em fun\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos em termos de conte\u00fados definidos&#8221;. Eis uma constata\u00e7\u00e3o que d\u00e1 lugar a m\u00faltiplas varia\u00e7\u00f5es na determina\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 uma pr\u00e1tica crist\u00e3 (cat\u00f3lica) da educa\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 sempre fun\u00e7\u00e3o do contexto hist\u00f3rico, cultural e social do momento. Uma breve abordagem da hist\u00f3ria recente dos grandes textos publicados pelo Magist\u00e9rio, a revela\u00e7\u00e3o de determinados movimentos do pensamento, podem ajudar a compreender melhor certas evolu\u00e7\u00f5es na pr\u00e1tica crist\u00e3 da educa\u00e7\u00e3o, que pemanecer\u00e1 para sempre submetida \u00e0 lei implac\u00e1vel da Encarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o s\u00f3 foi colocada a partir do final do s\u00e9culo XVIII e no s\u00e9culo XIX, quando surgiram e se desenvolveram a escola e a universidade p\u00fablicas. As rela\u00e7\u00f5es entre fam\u00edlia, a Igreja e o Estado foram colocadas ent\u00e3o no centro da problem\u00e1tica. No s\u00e9culo XIX, os Papas exprimiram-se pouco sobre o conte\u00fado exato da educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3. No entanto, alguns grandes princ\u00edpios apareciam j\u00e1 no conjunto de seus ensinamentos e ser\u00e3o regularmente relembrados:<\/p>\n<p>. A Igreja \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, uma institui\u00e7\u00e3o de ensino (princ\u00edpio prof\u00e9tico);<\/p>\n<p>. O princ\u00edpio do conhecimento \u00e9 o princ\u00edpio da salva\u00e7\u00e3o; as mat\u00e9rias profanas t\u00eam um estatuto subordinado (princ\u00edpio mission\u00e1rio);<\/p>\n<p>. O ensino \u00e9 obra da caridade (princ\u00edpio diaconal);<\/p>\n<p>. O ensino faz-se em nome da Igreja, que delega sua miss\u00e3o de ensinar (princ\u00edpio confessional);<\/p>\n<p>. Tr\u00eas agentes a considerar: a fam\u00edlia, a Igreja e o Estado ou a sociedade civil; o direito e o papel de cada um s\u00e3o diferentes e complementares (princ\u00edpio jur\u00eddico)<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia relativa e o equ\u00edlibrio destes cinco princ\u00edpios s\u00e3o vari\u00e1veis e permitem uma adapta\u00e7\u00e3o ao contexto da \u00e9poca ou do regime de ensino. Cada escola ou universidade cat\u00f3lica de servi\u00e7o p\u00fablico ou privado, atualiza estes princ\u00edpios de forma diferente.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, a Enc\u00edclica <em>Divini Illius Magistri<\/em>, publicada pelo Papa Pio XI, em 1929, oferece uma primeira s\u00edntese da doutrina pontificial. Duas circunst\u00e2ncias definem a ocasi\u00e3o: o totalitarismo e a vontade de controle do Estado sobre a educa\u00e7\u00e3o e a corrente da educa\u00e7\u00e3o nova e o seu naturalismo pedag\u00f3gico. Em resposta ao totalitarismo, a Enc\u00edclica insiste na articula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre fam\u00edlia, Igreja e Estado. Do ponto de vista das doutrinas pedag\u00f3gicas, existe uma oposi\u00e7\u00e3o, relembrando o pecado original, a qualquer liberdade absoluta da crian\u00e7a e do estudante, mesmo que sua coopera\u00e7\u00e3o ativa seja recomendada.<\/p>\n<p>Em termos de estrutura\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, s\u00e3o evidenciados cinco elementos: os respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o, o sujeito, o meio, a fidelidade e a forma. Os respons\u00e1veis s\u00e3o as tr\u00eas sociedades necess\u00e1rias, numa medida proporcionada e correspondente \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o de seus fins respectivos; a educa\u00e7\u00e3o dirige-se ao homem na sua totalidade (sujeito), como indiv\u00edduo e como ser social, na ordem da natureza e na da gra\u00e7a, sem esquecer que subsistem na natureza humana os efeitos do pecado original; o entorno educativo deve estar em harmonia com o objetivo proposto, ainda que o meio escolar ou acad\u00eamico deva ser harmonizado de forma positiva com a fam\u00edlia e a sociedade civil; a educa\u00e7\u00e3o consiste essencialmente na forma\u00e7\u00e3o do Homem (finalidade), lhe ensinando aquilo que ele deve ser e como se deve comportar nesta vida terrena, de modo a atingir a finalidade sublime para a qual foi criado; sobretudo, \u00e9 importante iluminar a intelig\u00eancia e fortalecer a vontade atrav\u00e9s das verdades sobrenaturais e com o aux\u00edlio da gra\u00e7a (forma), sem a qual \u00e9 imposs\u00edvel atingir a perfei\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a a\u00e7\u00e3o educadora da Igreja. Como podem constatar, o debate sempre atual sobre o papel mais ou menos ativo do educador, a liberdade e a autonomia maior ou menor do aluno em sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o entre saber, ci\u00eancia e a lei divina (ci\u00eancia e f\u00e9) j\u00e1 tinha come\u00e7ado. Contudo, foi preciso esperar pelo Conc\u00edlio Vaticano II e a Declara\u00e7\u00e3o <em>Grvissimum Educationis Momentum <\/em>de 28 de outubro de 1965 para conhecer um novo esclarecimento sobre o snetido da educa\u00e7\u00e3o para o mundo de hoje.<\/p>\n<p>Com este texto, temos uma nova carta da educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, cujo tom otimista e aberto \u00e9 t\u00edpico do contexto do Conc\u00edlio Vaticano II. Em rela\u00e7\u00e3o a Pio XI, que iniciou a reflex\u00e3o sobre a educa\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es, a Declara\u00e7\u00e3o conciliar parte do Homem e da sua voca\u00e7\u00e3o. Ela situa a educa\u00e7\u00e3o num contexto antropol\u00f3gico. A Igreja, em virtude de sua miss\u00e3o, coloca-se ao servi\u00e7o do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 ligada \u00e0 dignidade da pessoa e \u00e0 sua liberdade; &#8220;ela se oferece para trabalhar com todos os homens a fim de promover a pessoa humana na sua perfei\u00e7\u00e3o, bem como para asseguar o bem da sociedade terrena e a constru\u00e7\u00e3o de um mundo sempre mais humano&#8221;. (n\u00ba 3)<\/p>\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o proclama princ\u00edpios gerais que devem reger qualquer educa\u00e7\u00e3o digna para o Homem. \u00c9 interessante notar que o documento conciliar versa sobre a &#8220;educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3&#8221; e n\u00e3o exclusivamente sobre a educa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. Muito longe de defender o seu \u00fanico dom\u00ednio, o dos batizados, a Igreja tem a miss\u00e3o de libertar e de salvar todos os homens. Este princ\u00edpio da inten\u00e7\u00e3o pastoral leva a destacar essencialmente a educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9, seja qual for o meio educativo. Para o Papa Pio XI, a escola (e os meios de ensino) tinha um car\u00e1ter secund\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 institui\u00e7\u00e3o eclesial. A Declara\u00e7\u00e3o conciliar apresenta-se como um &#8220;centro onde se encontram, para partilharem as responsabilidades de seu funcionamento e progresso, fam\u00edlias, professores, grupos de todos os tipos criados para o desenvolvimento da vida cultural, c\u00edvica e religiosa, a sociedade civil e, finalmente, toda a comunidade humana&#8221;. (n\u00ba 5)<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a presen\u00e7a da Igreja nos dom\u00ednios escolares e universit\u00e1rios se manifesta de forma especial nos contextos das escolas e universidades cat\u00f3licas. Tal como os outros meios de educa\u00e7\u00e3o, estes perseguem objetivos culturais e a forma\u00e7\u00e3o humana dos estudantes. Sua particularidade &#8220;\u00e9 criar para a comunidade escolar (e universit\u00e1ria) uma atmosfera animada com um esp\u00edrito evang\u00e9lico de liberdade e de caridade, ajudar os adolescentes (e os estudantes) a desenvolverem a sua personalidade, fazendo crescer ao mesmo tempo esta nova criatura em que se transformaram pelo batismo, e finalmente ordenar toda a cultura humana a partir do an\u00fancio da salva\u00e7\u00e3o, de tal forma que o conhecimento gradual que os alunos adquiram do mundo, da vida e do Homem seja iluminado pela f\u00e9&#8221;. (n\u00ba 8)<\/p>\n<p>Podemos constatar que nossa miss\u00e3o \u00e9 sempre marcada por esses &#8220;limites&#8221;, por essas aberturas em positivo e em negativo, por essas tens\u00f5es que, longe de serem paralisantes ou at\u00e9 mort\u00edferas, s\u00e3o for\u00e7as criadoras de futuro, uma vez que nos convidam \u00e0 pondera\u00e7\u00e3o e \u00e0 supera\u00e7\u00e3o em uma dupla fidelidade ao homem e a Deus. De alguma forma. uma rela\u00e7\u00e3o inamiss\u00edvel com a terra e o c\u00e9u, a hist\u00f3ria e a eternidade, a raz\u00e3o e a f\u00e9, a constru\u00e7\u00e3o do mundo de hoje e o Reino presente e futuro. isto indica at\u00e9 que ponto \u00e9 nosso dever assegurar a s\u00edntese entre a cultura e a f\u00e9, por um lado, e entre a f\u00e9 e a vida, por outro. A primeira destas s\u00ednteses \u00e9 realizada por assimila\u00e7\u00e3o, \u00e0 luz da mensagem evang\u00e9lica, do saber humano contido nas diferentes disciplinas. a segunda, pela aquisi\u00e7\u00e3o\u00a0do esp\u00edrito e das virtudes que caracterizam o crist\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>II &#8211; Universidade e Cat\u00f3lica<\/strong><\/p>\n<p>Neste vasto contexto de educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que nos oferece os pontos de refer\u00eancia essenciais nesses dom\u00ednios, vamos debru\u00e7ar-nos agora mais particularmente na universidade cat\u00f3lica. O primeiro fato que gostaria de sublinhar \u00e9 que a universidade n\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, mas uma realidade viva e que, deste modo, faz parte do mundo contempor\u00e2neo. Nossas universidades cat\u00f3licas est\u00e3o tamb\u00e9m presentes e agem em v\u00e1rios pa\u00edses, frequentemente, de forma significativa. Duzentas e quinze dentre elas fazem parte da Fiuc, as mais importantes, mas o n\u00famero de estabelecimentos de ensino superior cat\u00f3lico no mundo ultrapassa largamente este n\u00famero e se aproxima das 1.500, de acordo com as \u00faltimas estat\u00edsticas estabelecidas pela Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica; mais de 220 dentre elas encontram-se na Am\u00e9rica Latina. Esta presen\u00e7a traduz-se em condi\u00e7\u00f5es institucionais e culturais muito diversas: pa\u00edses ricos, pa\u00edses pobres, pa\u00edses em via de desenvolvimento, pa\u00edses de tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e cat\u00f3lica, pa\u00edses onde predominam outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Em alguns casos, se beneficiam da ajuda financeira do Estado, enquanto, em outros locais, vivem situa\u00e7\u00f5es de pobreza tr\u00e1gica ou de marginalidade, podendo at\u00e9 chegar praticamente a sofrer persegui\u00e7\u00e3o em determinados casos. Tanto nas institui\u00e7\u00f5es seculares da Europa, como nos novos estabelecimentos que s\u00e3o criados todos os anos novos continentes, os problemas acad\u00eamicos e financeiros com os quais s\u00e3o confrontadas s\u00e3o consider\u00e1veis e s\u00f3 podem ser ultrapassados com uma convic\u00e7\u00e3o forte, profunda e amplamente difundida, do sentido e da import\u00e2ncia da miss\u00e3o que lhes \u00e9 confiada.<\/p>\n<p>S\u00e3o estas convic\u00e7\u00f5es que, no meio de situa\u00e7\u00f5es radicalmente diferentes, alimentam as mesmas generosidades e que, para l\u00e1 das diferen\u00e7as, desencadeiam um sentimento de perten\u00e7a comum a uma fam\u00edlia espiritual de unviersidades.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de suas convic\u00e7\u00f5es, realiza\u00e7\u00f5es e dinamismo, qual \u00e9 o motor (<em>primum movens<\/em>) que as anima? Para responder a esta quest\u00e3o, mais uma vez, n\u00e3o partirei de considera\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, mas de nossa experi\u00eancia comum, dado que nos comprometemos como professores, pesquisadores, estudantes, administradores em uma universidade cat\u00f3lica. Que podem significar para n\u00f3s e para o mundo de hoje o substantivo &#8220;universidade&#8221; e o adjetivo &#8220;cat\u00f3lica&#8221;, e sobretudo o fato de os unir, de os ligar um ao outro? A priori, isto significa que reivindicamos ao mesmo tempo a ambi\u00e7\u00e3o de sermos plenamente universit\u00e1rios e o fato de assumirmos essa ambi\u00e7\u00e3o com respeito a uma inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e a uma posse institucional \u00e0 Igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Pertencemos ao mesmo tempo \u00e0 sociedade civil em seu servi\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o e de difus\u00e3o de conhecimentos, mas tamb\u00e9m \u00e0 Igreja. Pretendemos prestar servi\u00e7o \u00e0s duas, o que significa que nos situamos, de algum modo,\u00a0 em sua interface, em seu ponto de encontro, que pode ser de diverg\u00eancia ou de converg\u00eancia, de afrontamento ou de di\u00e1logo. Nossa situa\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio \u00e9 esta. Por\u00e9m, temos de ver se se trata de uma realidade e n\u00e3o s\u00f3 de uma justaposi\u00e7\u00e3o de palavras, o que significaria que constituir\u00edamos universidade que de cat\u00f3licas s\u00f3 teriam o nome ou estabelecimentos com finalidades exclusivamente religiosas e eclesiais, e que utilizariam abusivamente o t\u00edtulo de universidade. A quest\u00e3o tem raz\u00e3o de ser e a experi\u00eancia demonstra bem que estas duas hip\u00f3teses (uma universidade que de cat\u00f3lica s\u00f3 tem nome ou uma institui\u00e7\u00e3o religiosa que de universidade s\u00f3 tem o nome) n\u00e3o s\u00e3o infelizmente casos te\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Pessoalmente, tenho a firme convic\u00e7\u00e3o, e verifico-a em minha pr\u00e1tica di\u00e1ria, que podemos realmente ser universidade cat\u00f3lica, em fidelidade plena e original para com a sociedade civil e a Igreja. Assim, convido-os a aprofundar sucessivamente as duas dimens\u00f5es dessa interface: nossa presen\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 de universidade, mas de universidade cat\u00f3lica na sociedade civil, e nossa presen\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 de institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, mas de universidade cat\u00f3lica na Igreja.<\/p>\n<p><em>A universidade cat\u00f3lica na sociedade civil<\/em>. Antes de nos interrogarmos sobre o papel da universidade cat\u00f3lica, \u00e9 necess\u00e1rio relembrar com for\u00e7a uma limita\u00e7\u00e3o de base \u00e0 qual ningu\u00e9m escapa: \u00e9 que uma universidade cat\u00f3lica deve ser primeiro e t\u00e3o plenamente quanto poss\u00edvel uma universidade. Como os outros estabelecimentos de ensino superior e de pesquisa de nosso pa\u00eds e do mundo, participamos nessa tarefa apaixonante que consiste em produzir e difundir o conhecimento ao n\u00edvel mais elevado, tarefa que \u00e9 motor do dinamismo, a chave do futuro, o dep\u00f3sito essencial da capacidade de progresso e de renova\u00e7\u00e3o das nossa sociedades contempor\u00e2neas.\u00a0 Deste modo, temos um lugar e, com todos os colegas, formamos uma equipe de artes\u00e3os do futuro.\u00a0 E este trabalho de pesquisa e de ensino superior deve ser assumido com todas as exig\u00eancias de rigor, seriedade, honestidade, adaptabilidade, abertura\u00a0\u00e0 vida profissional e social. A f\u00e9 crist\u00e3 na mat\u00e9ria n\u00e3o nos dispensa de nenhuma dessas exig\u00eancias, bem pelo contr\u00e1rio. Ela n\u00e3o nos traz qualquer m\u00e9todo ou resultado especial, cient\u00edfico ou pedag\u00f3gico. Relembremos que ela nos coloca no limite do compromisso e da supera\u00e7\u00e3o, em situa\u00e7\u00e3o constante de liberdade e de pondera\u00e7\u00e3o. Devemos procurar fazer nosso trabalho da melhor forma poss\u00edvel, promover insistentemente a qualidade de nossas investiga\u00e7\u00f5es e pedagogias, \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o, e nos adaptar o melhor poss\u00edvel \u00e0s exig\u00eancias da transforma\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 no centro deste trabalho, n\u00e3o no lado, nem por cima dele, que pode e deve ser expressado o papel espec\u00edfico de uma universidade cat\u00f3lica. Como \u00e9 que o fazemos?\u00a0 \u00c9 aqui que entra em jogo o papel das pessoas, dado que o trabalho universit\u00e1rio nunca \u00e9 puramente t\u00e9cnico ou cient\u00edfico. O homem ou a mulher que se dedicam a ele n\u00e3o fornecem apenas seus conhecimentos, mas tamb\u00e9m seus comportamentos, valores, \u00e9tica, concep\u00e7\u00e3o de vida, sem esquecer sua vis\u00e3o da vida universit\u00e1ria e sua rela\u00e7\u00e3o com a Igreja. Isto \u00e9 particularmente verdadeiro no que diz respeito ao ensino e, ainda que menos aparente, concerne tamb\u00e9m a pesquisa, porque a pedagogia exprime e transmite a totalidade de uma pessoa: sua abnega\u00e7\u00e3o e sua dedica\u00e7\u00e3o aos outros, seu respeito pela verdade, sua concep\u00e7\u00e3o da vida pessoal, profissional e social. N\u00e3o partilhamos apenas os conhecimentos e as t\u00e9cnicas, mas tamb\u00e9m os valores e a \u00e9tica. Podemos sempre procurar ser o mais rigorosos e objetivos poss\u00edvel, mas nunca somos verdadeiramente neutros. N\u00e3o podemos afastar o homem universit\u00e1rio do trabalho de forma\u00e7\u00e3o que o absorve. A pedagogia nunca \u00e9 inocente, conscientemente ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>E se a \u00e9tica est\u00e1 bem presente no centro da atividade do professor ou do pesquisador, n\u00e3o \u00e9 o efeito de uma acaso infeliz. \u00c9 porque a exig\u00eancia \u00e9tica \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de um chamamento que vem do mais profundo da alma humana, que \u00e9 como a marca de sua voca\u00e7\u00e3o. E \u00e9 essa voca\u00e7\u00e3o que confere ao Homem sua eminente dignidade, que exige que ele seja sempre e em todas as circunst\u00e2ncias tratado como um fim, nunca um meio. Neste contexto, a voca\u00e7\u00e3o da universidade n\u00e3o \u00e9 apenas a do conhecimento e da ci\u00eancia, mas tamb\u00e9m a da sabedoria. Hoje mais do que nunca, a ci\u00eancia precisa de &#8220;raz\u00e3o de ser&#8221; para servir eficazmente a humanidade. E os homens e as mulheres que praticam esta ci\u00eancia t\u00eam necessidade de dar um sentido, ou at\u00e9 uma esperan\u00e7a,\u00a0\u00e0 sua pesquisa e aos seus ensinamentos. \u00c9 oportuno e fecundo para a sociedade que aqueles que possuam uma mesma vis\u00e3o crist\u00e3 do Homem e do destino possam se encontrar explicitamente no seio de uma universidade cat\u00f3lica para trabalharem juntos nesta busca do sentido, iluminados e estimulados pela f\u00e9. Ir\u00e3o faz\u00ea-lo sem dogmatismo nem exclusividade, mas com convic\u00e7\u00f5es e compet\u00eancias.<\/p>\n<p><em>O servi\u00e7o da Igreja de nossas universidades cat\u00f3licas.<\/em> O servi\u00e7o que prestamos \u00e0 sociedade civil n\u00e3o \u00e9 evidentemente a \u00fanica dimens\u00e3o de nossa especificidade de universidade cat\u00f3lica, nem de nosso papel no mundo comtempor\u00e2neo. Situados na interface da sociedade civil e da Igreja, assumimos igualmente um servi\u00e7o de Igreja. E este servi\u00e7o \u00e9 essencial tanto para a nossa identidade como para o trabalho que realizamos no mundo de hoje. Ao contribuir para dar \u00e0 Igreja um certo n\u00edvel de abertura, de capacidade, de evolu\u00e7\u00e3o, de rigor e de credibilidade assumimos, claro, um servi\u00e7o eclesial, mas tamb\u00e9m, atrav\u00e9s dele, um servi\u00e7o ao mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, qual poder\u00e1 ser o sentido e o conte\u00fado desta segunda dimens\u00e3o de nossa especificidade e de nossa miss\u00e3o: o servi\u00e7o da Igreja em uma universidade cat\u00f3lica?<\/p>\n<p>Tomo a liberdade de precisar imediatamente que n\u00e3o se pode tratar, a meu ver, de uma categoria de atividades completamente diferente das outras, de alguma forma justaposta ou at\u00e9 dividida em rela\u00e7\u00e3o a elas. \u00c9 em virtude do conjunto de nossos trabalhos que estamos tanto ao servi\u00e7o da sociedade como da Igreja. Aprofundar e difundir a cultura religiosa constitui uma clara contribui\u00e7\u00e3o para a qualidade da sociedade civil e, reciprocamente, para refletir na inspira\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e da grande tradi\u00e7\u00e3o intelectual crist\u00e3 sobre os grandes problemas humanos e \u00e9ticos de nosso tempo, sendo um servi\u00e7o muito precioso de testemunho e de presen\u00e7a que oferecemos \u00e0 Igreja. Assim, compreender\u00e3o que aqui se trata muito mais de descrever duas finalidades e n\u00e3o duas categorias diferentes de atividades.<\/p>\n<p>Servi\u00e7o de Igreja primeiro, que evoquei h\u00e1 um instante, pelo conjunto de nossas atividades de ensino e de investiga\u00e7\u00e3o levadas a cabo com o esp\u00edrito e as exig\u00eancias que descrevemos anteriormente. Este \u00e9 um elemento essencial da presen\u00e7a da Igreja no mundo. &#8220;Unir a luz da Revela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia de todos para iluminar o caminho que a humanidade acabou de inicar&#8221;, ensina-nos Gaudium et Spes (n\u00ba 33). Essa \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o de qualquer crist\u00e3o e, particularmente, de uma institui\u00e7\u00e3o crist\u00e3 universit\u00e1ria. Vivemos em sociedades onde o n\u00edvel e o conte\u00fado dos conhecimentos se renovam e aumentam constantemente. E nem a f\u00e9 nem as comunidades crist\u00e3s podem permanecer alheias\u00a0a mesta evolu\u00e7\u00e3o. Sua credibilidade est\u00e1 em causa, e a simples quest\u00e3o da\u00a0qualidade t\u00e9cnica de nossos ensinamentos e investiga\u00e7\u00f5es constitui j\u00e1 em si um elemento apolog\u00e9tico importante, demonstrando que os crist\u00e3os, os universit\u00e1rios cat\u00f3licos, est\u00e3o presentes e comprometidos na evolu\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Este servi\u00e7o de presen\u00e7a e de testemunho n\u00e3o \u00e9 \u00fanico. Mais em profundidade, a f\u00e9 \u00e9 interpelada pelas muta\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, tecnol\u00f3gicas e culturais. Seu conte\u00fado e, a <em>fortiori<\/em>, o cont\u00e9udo de suas implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, n\u00e3o \u00e9 nem intemporal nem desenraizado. Ele \u00e9 explicitado e vivido por homens e mulheres, em sociedades inseridas em uma \u00e9poca e locais determinados, marcados por um estado dos conhecimentos e um tipo de cultura. Assim, \u00e9 essencial <em>inculturar<\/em> a f\u00e9, desenvolv\u00ea-la sempre, especialmente em per\u00edodos de muta\u00e7\u00e3o radical dos conhecimentos e da cultura. Aqui se encontra o segundo aspecto de nossa voca\u00e7\u00e3o: oferecer \u00e0 Igreja hier\u00e1rquica e a qualquer comunidade crist\u00e3 as contribui\u00e7\u00f5es e as quest\u00f5es da evolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e cultural. Isto tamb\u00e9m \u00e9 verdade para a Igreja e, a esse respeito, tamb\u00e9m temos um servi\u00e7o consider\u00e1vel a prestar-lhe em mat\u00e9ria de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e de forma\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, teol\u00f3gica e \u00e9tica, e isto, claro, em todas as diferentes disciplinas, nomeadamente, as ci\u00eancias humanas, cujas descobertas podem ser important\u00edssimas. Vou partilhar com voc\u00eas hoje outra das minhas convic\u00e7\u00f5es profundas: o pensamento da Igreja, sua grande tradi\u00e7\u00e3o intelectual de ontem, a de hoje e a de amanh\u00e3, rica e sempre aberta, tamb\u00e9m \u00e9 elaborada na universidade cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Nossas universidades devem ent\u00e3o ser verdadeiros &#8220;laborat\u00f3rios da Igreja&#8221; que estimulam e enriquecem o aprofundamento, a explicita\u00e7\u00e3o, a incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9.\u00a0 Este\u00a0 \u00e9 um desafio fundamental para a nossa comunidade crist\u00e3 e para o mundo contempor\u00e2neo. E essa tarefa deve ser assegurada por n\u00f3s a todos os n\u00edveis: local, regional, nacional e internacional, e para uma variedade de p\u00fablicos cada vez mais vastos.<\/p>\n<p>A universidade cat\u00f3lica ao servi\u00e7o da Igreja: nela representamos um local original que \u00e9 parte integrante da comunidade eclesial, mas que n\u00e3o deixa de ser um dicast\u00e9rio. Nosso papel n\u00e3o \u00e9 o de participar na fun\u00e7\u00e3o de governo da Igreja, mas em sua\u00a0 miss\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, testemunho e presen\u00e7a. Para isso, necessitamos estruturalmente tanto de la\u00e7os de colabora\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel com as autoridades hier\u00e1rquicas, como de espa\u00e7os de liberdade. Porque a pesquisa s\u00f3 pode ser desenvolvida num contexto de liberdade acad\u00eamica. A forma de combinar estas duas exig\u00eancias nem sempre \u00e9 f\u00e1cil de articular. Ali\u00e1s, ela recebe, em fun\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses, das institui\u00e7\u00f5es e dos momentos hist\u00f3ricos, solu\u00e7\u00f5es estruturais diversas e variadas. O essencial \u00e9 assumir ambas na f\u00e9, na esperan\u00e7a e no respeito, com as tens\u00f5es por vezes dolorosas, mas muitas vezes criadoras que elas podem desencadear. Por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio assumir uma e outra, precisamente porque n\u00f3s somos plenamente de Igreja e plenamente universit\u00e1rios. Como disse Jo\u00e3o Paulo II no Instituto Cat\u00f3lico de Paris em 1980, afirma\u00e7\u00e3o retomada textualmente na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Ex Corde Ecclesiae <\/em>em 1990: &#8220;n\u00e3o existe contradi\u00e7\u00e3o entre a procura da verdade e a certeza de conhecer essa verdade&#8221;. (n\u00ba 1)<\/p>\n<p><strong>III &#8211; A Teologia na Universidade Cat\u00f3lica<\/strong><\/p>\n<p>Abordemos agora o papel mais espec\u00edfico da teologia na universidade cat\u00f3lica. J\u00e1 destacamos v\u00e1rios aspectos relativos ao papel essencial da f\u00e9 eclesial como for\u00e7a estruturante e envolvente da miss\u00e3o de nossas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. Ser\u00e1 que a teologia ocupa nelas um lugar privilegiado:<\/p>\n<p>\u00c9 da responsabilidade de uma universidade cat\u00f3lica consagrar-se \u00e1 intelig\u00eancia e \u00e1 f\u00e9. A maioria das vezes, est\u00e1 miss\u00e3o \u00e9 realizada no quadro formal de um departamento ou de uma faculdade de teologia ou atrav\u00e9s de programas de forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e religiosa oferecidos aos alunos, frequentemente, adaptados a seus percursos disciplinares e profissionais. A f\u00e9 possui uma dimens\u00e3o de racionalidade que conv\u00e9m honrar. <em>Fides quaerens intellectum<\/em>: este ad\u00e1gio de Santo Anselmo, que comanda h\u00e1 muitos s\u00e9culos o trabalho daquilo que se chama as ci\u00eancias sagradas, e, principalmente, a teologia, merece ser hoje pensado com novos par\u00e2metros.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio assinalar que as faculdades de teologia evolu\u00edram consideravelmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ao mesmo tempo que a universidade se desenvolvia em mais regi\u00f5es do mundo. Muitas vezes, as faculdades foram identificadas como semin\u00e1rios maiores e seu programa de estudos estava definido em fun\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de futuros padres.\u00a0 Depois dos anos 60-70, pelo menos no velho continente europeu, v\u00e1rias universidades cat\u00f3licas, para assegurarem sua moderniza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento enquanto instituto de ensino superior, deram mais enfoque a seu car\u00e1ter secular e p\u00fablico. De alguma forma, elas &#8220;secularizaram&#8221; suas estruturas e solicitaram a ajuda financeira do Estado, apoiando a democratiza\u00e7\u00e3o do ensino e a acessbilidade aos estudos. No plano pedag\u00f3gico, os programas de estudos foram remodelados tendo em conta novos padr\u00f5es nacionais e internacionais e a pesquisa cient\u00edfica conheceu um impulso consider\u00e1vel. Todos estes fatores tiveram impacto no projeto de forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e no sistema universit\u00e1rio.As institui\u00e7\u00f5es de teologia n\u00e3o podiam mais ficar satisfeitas com apenas evocar, calmamente, a tradica\u00e7\u00e3o, que por outra parte \u00e9 indispens\u00e1vel conhecer, para asseguar sua presen\u00e7a na universidade e justificar sua miss\u00e3o na sociedade. Ser\u00e1 que podemos dizer que foi uma passagem de uma teologia de repeti\u00e7\u00e3o para uma teologia de interroga\u00e7\u00f5es, uma teologia cr\u00edtica?<\/p>\n<p>Por exemplo, houve uma \u00e9poca na qual a teologia dogm\u00e1tica se consagrou principalmente a uma reflex\u00e3o acerca do dogma da Igreja e sobre sua apresenta\u00e7\u00e3o. Houve outra durante a qual, confrontadas com um questionamento da tradi\u00e7\u00e3o e da atitude crente perante as ci\u00eancias hist\u00f3ricas, as faculdades de teologia ssumiram essencialmente a tarefa de explorar o legado de seu patrim\u00f5nio hist\u00f3rico. Estas duas abordagens pareciam pouco concili\u00e1veis, dado que a cr\u00edtica hist\u00f3rica era percebida como sendo um risco para as s\u00ednteses dogm\u00e1ticas. Parece cada vez mais claro que estamos entrando em um novo per\u00edodo que intregra os conhecimentos adquiridos na investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e os desenvolvimentos da experi\u00eancia teologista no pensamento teol\u00f3gico. A quest\u00e3o sobre a verdade \u00e9 sempre colocada, n\u00e3o reduzida a acumula\u00e7\u00e3o de formula\u00e7\u00f5es herdadas do passado, mas em um movimento de tradi\u00e7\u00e3o unificadora que se constr\u00f3i e se pensa. As divis\u00f3rias quase estanques que existiram entre o que foi chamado de teologia positiva, teologia especulativa e teologia pr\u00e1tica s\u00e3o, doravante, consideradas como a heran\u00e7a de uma situa\u00e7\u00e3o que foi exageradamente endurecida. Te\u00f3logos e ex\u00e9getas est\u00e3o conscientes de que sua rela\u00e7\u00e3o deve ser repensada. Aqui h\u00e1 uma tarefa que realizam agora as faculdades de teologia e de ci\u00eancias religiosas, sendo que uma melhor articula\u00e7\u00e3o entre essas diferentes atitudes se tornou necess\u00e1ria para pesquisa de uma verdade teol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O mundo contempor\u00e2neo, civiliza\u00e7\u00f5es e culturas, coloca igualmente aos te\u00f3logos novas quest\u00f5es que conduzem os professores a empreenderem pesquisas adequadas, cruzando, tanto quanto poss\u00edvel, essas quest\u00f5es com suas disciplinas: teologia das religi\u00f5es, hemen\u00eautica, dimens\u00e3o narrativa da teologia e da exegese, recurso \u00e0s Escrituras como fonte de uma teologia moral, para citar apenas algumas.<\/p>\n<p>Est\u00e1 sendo formalizado um traalho an\u00e1logo em filosofia. A reivindica\u00e7\u00e3o de uma racionalidade pura, livre de qualquer filia\u00e7\u00e3o confessional ou pol\u00edtica, j\u00e1 quase que n\u00e3o \u00e9 tida em conta para os fil\u00f3sofos contempor\u00e2neos. A maioria reconhece o papel da cren\u00e7a, muitas vezes sem liga\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a uma transcend\u00eancia ou a uma f\u00e9, em qualquer abordagem filos\u00f3fica. A reflex\u00e3o sobre a articula\u00e7\u00e3o entre a racionalidade e a cren\u00e7a, sem a inten\u00e7\u00e3o alguma de alterar o pensamento de fil\u00f3sofos agn\u00f3sticos e ateus, \u00e9 uma das tarefas que pode ser dada a uma faculdade cat\u00f3lica de filosofia em di\u00e1logo com os te\u00f3logos. Os ensinamentos e as investiga\u00e7\u00f5es em metaf\u00edsica, filosofia da religi\u00e3o, fenomenologia e hermen\u00eautica s\u00e3o inscritas nessa corrente. Por falar nisso, vamos recorar o velho ditado: <em>bonus metaphisicus, bonus theologicus<\/em>. Como seria pens\u00e1vel empreender um caminho teol\u00f3gico sem previamente ter bases s\u00f3lidas em filosofia?<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 sendo realizado um trabalho semelhante no direito can\u00f4nico. Ci\u00eancia positiva, se \u00e9 que se pode chamar assim, a hist\u00f3ria das institui\u00e7\u00f5es e a filosofia do direito questionam as leis escritas e o direito consuetudin\u00e1rio. A publica\u00e7\u00e3o, em 1983 e 1990, dos dois c\u00f3digos de direito can\u00f4nico, o da Igreja latina e os das Igrejas orientais, colocou o enfoque na necessidade de di\u00e1logo entre o direito can\u00f4nico e as culturas. Existe uma necessidade urgente de pesquisa em filosofia antropol\u00f3gica, assim como em teologia do direito can\u00f4nico ou at\u00e9 uma eclesiologia repensada do direito can\u00f4nico, o que implica para uma faculdade de teologia onde tamb\u00e9m se ensine essa mat\u00e9ria (habitualmente \u00e9 o caso na maior parte das universidades) abrir novos caminhos de pensamento.<\/p>\n<p>Ao adquirir uma certa autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos semin\u00e1rios maiores que anteriormente eram o local por excel\u00eancia das faculdades eclesi\u00e1sticas, as faculdades de teologia sofreram ent\u00e3o profundas transforma\u00e7\u00f5es. Os estudantes diversificaram-se, acolhendo cada vez mais laicos, homens e mulheres. Os programas de forma\u00e7\u00e3o pastoral ou catequ\u00e9tica ou de ci\u00eancias religiosas foram estabelecidos. As ci\u00eancias humanas fizeram sua entrada progressiva, introduzindo novas abordagens e novas leituras das realidades culturais, eclesiais e teol\u00f3gicas. As ci\u00eancias das religi\u00f5es geraram, um pouco por todo o lado, mais interesse. o desenvolvimento do ensino de adultos e o modelo da forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua tamb\u00e9m modificou o tratamento pedag\u00f3gico das quest\u00f5es teol\u00f3gicas. Foi assim que o projeto teol\u00f3gico das faculdades eclesiais foi sendo progressivamente definido, tendo em conta as novas quest\u00f5es colocadas pela cultura. O que \u00e9 pedido aos te\u00f3logos atualmente \u00e9 a dist\u00e2ncia pr\u00f3pria de um pensamento cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias cada vez maiores no que toca \u00e0 intelig\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o e da complexidade de uma palavra da Igreja recebida nos contextos do pluralismo cultural e religioso contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>Os te\u00f3logos est\u00e3o, tamb\u00e9m, no limite, numa esp\u00e9cie de dilema permanente. S\u00f3 s\u00e3o cred\u00edveis como universit\u00e1rios se argumentarem livremente, inscrevendo-se no que o te\u00f3logo Christian Duquoc chama de &#8220;democracia de opini\u00f5es&#8221;, manifestada no debate p\u00fablico no seio da nossa cultura. No entanto, s\u00f3 se podem apresentar como te\u00f3logos aqueles que aceitam a media\u00e7\u00e3o das Escrituras, da tradi\u00e7\u00e3o e do magist\u00e9rio eclesial. Como honrar esses dois polos, muitas vezes aparentemente irreconcili\u00e1veis? No m\u00ednimo, podemos dizer que a universidade cat\u00f3lica tem o dever de voltar a colocar a teologia no debate cultural contempor\u00e2neo. A este respeito, queria recuperar o pensamento vigoroso de Jo\u00e3o Paulo II, expressado na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Ex Corde Ecclesiae: &#8220;Uma f\u00e9 que se situa nas fronteiras daquilo que \u00e9 humano, e assim daquilo que \u00e9 cultura, \u00e9 uma f\u00e9 que n\u00e3o reflete a plenitude do que a Palavra de Deus manifesta e revela, \u00e9 uma f\u00e9 decapitada, pior ainda, uma f\u00e9 em fase de autodestrui\u00e7\u00e3o&#8221;. (n 44)<\/p>\n<p><strong>Perspectivas<\/strong><\/p>\n<p>A universidade cat\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 uma sobrevivente do passado, ela responde a uma necessidade atual, porque \u00e9 portadora de uma &#8220;tradi\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a e de servi;o&#8221;. A miss\u00e3o e a raz\u00e3o de ser da Fiuc \u00e9 compreender as grandes problem\u00e1ticas de nossos tempos e dar-lhes respostas atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o e da difus\u00e3o de conhecimentos. A divisa da federa\u00e7\u00e3o, &#8220;Sciat vt Serviat&#8221; (Saber para Servir) descreve bem essa liga\u00e7\u00e3o esteita que se esfor\u00e7a por construir e desenvolver nas universidades cat\u00f3licas entre, por um lado, a constru\u00e7\u00e3o coletiva do saber e, por outro lado, a transforma\u00e7\u00e3o de suas experi\u00eancias em tantos benef\u00edcios \u00fateis e duradouros para os homens e para as mulheres de nossa sociedade e da humanidade. Da\u00ed a import\u00e2ncia de nossas universidades formarem profissionais de excel\u00eancia, mas, ao mesmo tempo, que estes sejam pessoas respons\u00e1veis, cr\u00edticas, preocupadas em construir um mundo mais justo e mais humano. Isso significa, portanto, que nossa miss\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 completa se s\u00f3 formarmos profissionais competentes; devemos ajudar nossos estudantes a cultivar neles o suplemento de alma que os tornar\u00e1 l\u00edderes, campe\u00f5es da consci\u00eancia social e da solidariedade.\u00c9 esta a originalidade da forma\u00e7\u00e3o que faz as gera\u00e7\u00f5es mais jovens virem bater\u00a0\u00e0 porta das universidades cat\u00f3licas.<\/p>\n<p>A teologia tamb\u00e9m deve ocupar todo o espa\u00e7o que lhe pertence neste projeto crist\u00e3o de encaminhamento universit\u00e1rio; os grandes desafios ligados \u00e0 pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o e os que nos coloca o mundo contempor\u00e2neo tamb\u00e9m podem ser lidos e apreendidos \u00e0 dupla luz da ci\u00eancia e da f\u00e9. A pessoa humana e a \u00e9tica crist\u00e3 encontram assim seu desenvolvimento no cora\u00e7\u00e3o do projeto universit\u00e1rio; \u00e9 nosso dever preservar este espa\u00e7o com muito orgulho e tentar que seja o mais intelig\u00edvel poss\u00edvel para todos.<\/p>\n<p>A inscri\u00e7\u00e3o da teologia nas universidades p\u00fablicas ou privadas (geralmente, as cat\u00f3licas) convida ao di\u00e1logo entre as disciplinas teol\u00f3gicas e outras ci\u00eancias e a experi\u00eancia no seio da universidade. Al\u00e9m disso, o alvo da teologia como ci\u00eancia universit\u00e1ria reside na cria\u00e7\u00e3o de um entendimento estabelecido entre a f\u00e9 e a raz\u00e3o nos contextos pluralistas. O homem n\u00e3o poderia dar sua concord\u00e2ncia na f\u00e9 a nenhuma afirma\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o a compreendesse de uma certa maneira. A reflex\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria em cada momento de nossa vida de f\u00e9; sem que tenhamos sempre consci\u00eancia disso, uma esp\u00e9cie de neglig\u00eancia do pensamento, uma piedosa instrospec\u00e7\u00e3o sobre um acontecimento, se apodera facilmente do crente. E, se n\u00f3s n\u00e3o tivermos cuidado, ficamos bloqueados, embalsamados\u00a0\u00e0 gra\u00e7a recebida.<\/p>\n<p>Neste sentido, temos tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es: o &#8220;racionalismo teol\u00f3gico&#8221; que faz do crist\u00e3o um espectador puro da divindade e n\u00e3o um ator da sua gra\u00e7a; o &#8220;fide\u00edsmo sentimental&#8221;, que reduz o cristianismo a uma emo\u00e7\u00e3o subjetiva; o &#8220;moralismo fingido&#8221;, que \u00e9 um simples cat\u00e1logo de valores e c\u00f3digos, esquecendo que a f\u00e9 \u00e9 um ato de amor, um encontro comovente e unificador, e ao mesmo tempo uma alegria sempre no limite de nossos sonhos e de nossas esperan\u00e7as, \u00e0 altura do Homem e \u00e0 altura de Deus.<\/p>\n<p>Muito obrigado por vossa gentil aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Prof. Mons. Guy-R\u00e9al Thivierge &#8211; Secret\u00e1rio Geral da Fiuc<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Secret\u00e1rio Geral da Federa\u00e7\u00e3o Internacional das Universidades Cat\u00f3licas (Fiuc), Prof. Mons. 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