{"id":10532,"date":"2010-10-06T19:42:32","date_gmt":"2010-10-06T22:42:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=10532"},"modified":"2010-10-06T19:42:32","modified_gmt":"2010-10-06T22:42:32","slug":"tania-bacelar-e-tulio-velho-barreto-debatem-o-brasil-pos-lula-na-8%c2%aa-semana-de-integracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/tania-bacelar-e-tulio-velho-barreto-debatem-o-brasil-pos-lula-na-8%c2%aa-semana-de-integracao\/","title":{"rendered":"T\u00e2nia Bacelar e T\u00falio Velho Barreto debatem o Brasil p\u00f3s-Lula na 8\u00aa Semana de Integra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Tiago Cisneiros<\/p>\n<figure id=\"attachment_10540\" aria-describedby=\"caption-attachment-10540\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a rel=\"attachment wp-att-10540\" href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/?attachment_id=10540\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-10540\" title=\"Mesa\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/Mesa.jpg?resize=300%2C225&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10540\" class=\"wp-caption-text\">Ana Eduarda Azoubel<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em tempos de elei\u00e7\u00e3o, poucos conseguem pensar em algo que n\u00e3o tenha rela\u00e7\u00e3o com o futuro do pa\u00eds ou do estado. Isso explica, em parte, o p\u00fablico que lotou o audit\u00f3rio G2 da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, segunda-feira (4), para assistir \u00e0 mesa de abertura oficial da 8\u00aa Semana de Integra\u00e7\u00e3o, com o tema \u201cEconomia e pol\u00edtica: o Brasil p\u00f3s-Lula\u201d. As outras raz\u00f5es para tamanha movimenta\u00e7\u00e3o estavam nos nomes dos conferencistas da primeira noite de evento: a economista T\u00e2nia Bacelar e o cientista pol\u00edtico T\u00falio Velho Barreto, dois dos mais respeitados estudiosos pernambucanos da atualidade.<\/p>\n<p>A primeira a falar foi T\u00e2nia Bacelar, professora da Universidade Federal de Pernambuco, doutora pela Universidade de Paris 1 e diretora da consultoria Ceplan. Na sua palestra, a economista destacou os avan\u00e7os registrados na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21, sobretudo durante a gest\u00e3o do presidente Lula, em rela\u00e7\u00e3o aos anos 1970, 1980 e 1990.<\/p>\n<p>Segundo ela, o Brasil do final do s\u00e9culo 20 conquistara o \u00eaxito no seu projeto de desenvolvimento econ\u00f4mico, fundamentado na base industrial ampla e diversificada, na competitividade no neg\u00f3cio e na modernidade e abrang\u00eancia do setor terci\u00e1rio. O problema residia no campo social, como revelava o ranking de desigualdades, em que o pa\u00eds s\u00f3 estava \u00e0 frente de Honduras e Serra Leoa, a que T\u00e2nia Bacelar, ironicamente, chamou de \u201cpot\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p>Para a economista, a crise dos anos 1980 e 1990, devida ao choque de juros, terminou por delegar ao novo s\u00e9culo algumas sequelas no \u00e2mbito interno e externo. Entre elas, est\u00e3o a vulnerabilidade ao mercado internacional (por causa da estabiliza\u00e7\u00e3o do Real) e o aumento da d\u00edvida p\u00fablica. Em resumo, aponta, o pa\u00eds tornou-se \u201cref\u00e9m dos credores\u201d, situa\u00e7\u00e3o da qual, at\u00e9 hoje, n\u00e3o conseguiu se libertar.<\/p>\n<p>\u00a0Mas houve avan\u00e7os. T\u00e2nia Bacelar acredita que o ambiente macroecon\u00f4mico do Brasil \u00e9 muito melhor do que na d\u00e9cada de 1990. Para defender tal posi\u00e7\u00e3o, ela aponta a eleva\u00e7\u00e3o das reservas, de R$ 37 bilh\u00f5es para R$ 200 bilh\u00f5es, a infla\u00e7\u00e3o sob controle e o crescimento das exporta\u00e7\u00f5es. Outra mudan\u00e7a positiva, diz, est\u00e1 vinculada \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o das atividades no pa\u00eds. \u201cQuando quisemos ser industriais, nos anos 1970, pusemos 80% da produ\u00e7\u00e3o no Sudeste. O Nordeste tinha apenas 5,7%. Em 2005, esses \u00edndices eram de 61,8% e 9,2%. A diferen\u00e7a ainda \u00e9 brutal, mas n\u00e3o se pode negar a melhora.\u201d<\/p>\n<p>Melhora que, de acordo com a economista, tem repercutido no campo social, ao contr\u00e1rio do que ocorria no fim do s\u00e9culo 20. Para ela, o governo Lula incorporou mais brasileiros ao processo de desenvolvimento da base econ\u00f4mica, atrav\u00e9s das pol\u00edticas de gastos sociais (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, etc.) e do aumento significativo do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Os resultados, aponta, s\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o da pobreza extrema (de 16,5% para 8,8%, entre 2002 e 2005), o crescimento da classe C (de 37,5% em 2002, para 50%, em 2008) e a \u201cmudan\u00e7a de endere\u00e7o\u201d da gera\u00e7\u00e3o de empregos e das eleva\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e consumo. No lugar do Sudeste, ganharam for\u00e7a o Norte e o Nordeste, regi\u00f5es historicamente desfavorecidas pelos governos federais.<\/p>\n<p>Em meio a esses avan\u00e7os socioecon\u00f4micos, T\u00e2nia Bacelar encara o futuro com bons olhos. Para ela, dentro da recente crise financeira, h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es significativas em quatro pilares. O primeiro deles \u00e9 o conceito de desenvolvimento, que deixa de ser exclusivamente financeiro e passa a abranger o social e o ambiental. O segundo \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, do eletromec\u00e2nico para o eletr\u00f4nico. O terceiro reside nas novas rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, e o quarto, no novo padr\u00e3o de consumo (com a insustentabilidade do chamado <em>American Way of Life<\/em>).<\/p>\n<p>Nesse contexto, a economista indica que o Brasil tem potencial para se destacar no plano internacional. \u201cO mundo vai caminhar para o desenvolvimento industrial ao lado do setor terci\u00e1rio. O grande desafio \u00e9 investir nesse terceiro segmento, no alto padr\u00e3o tecnol\u00f3gico e na educa\u00e7\u00e3o\u201d, disse. Para ela, outra janela \u00e9 a tend\u00eancia de mudan\u00e7a da matriz energ\u00e9tica, cabendo ao pa\u00eds a oportunidade de se tornar um ator relevante, tanto no t\u00e9rmino do atual est\u00e1gio (com o petr\u00f3leo, devido ao pr\u00e9-sal), quanto no in\u00edcio do pr\u00f3ximo (com energia limpa e renov\u00e1vel).<\/p>\n<p>Segundo T\u00e2nia Bacelar, o Brasil tamb\u00e9m pode ganhar for\u00e7a gra\u00e7as ao aumento da demanda por alimento e do aumento de renda em pa\u00edses menos desenvolvidos, como a \u00cdndia. \u201cSe a oferta n\u00e3o crescer, o pre\u00e7o vai subir e a fome, continuar. N\u00f3s temos \u00e1gua, terra e tecnologia para produzir prote\u00edna e frutas, os elementos mais consumidos pelas sociedades que elevam sua renda\u201d, afirma. Para isso, ela acredita na combina\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio, que \u201cassegura competitividade sem emprego\u201d, e da agricultura familiar, defendida pelos movimentos sociais e respons\u00e1vel por 38% do valor bruto da produ\u00e7\u00e3o nacional em 2006 (R$ 54 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Na conclus\u00e3o da palestra, T\u00e2nia Bacelar disse que o Brasil pode se tornar o exemplo tanto do novo, quanto do velho padr\u00e3o de desenvolvimento, dependendo das op\u00e7\u00f5es feitas pelos pr\u00f3ximos governos. Os principais obst\u00e1culos, segundo ela, s\u00e3o a baixa escolaridade da maioria da popula\u00e7\u00e3o, a insuficiente consci\u00eancia ambiental e as desigualdades geradas pelo resistente sistema tribut\u00e1rio, segundo o qual \u201cquem ganha menos paga mais\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<strong>Pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A segunda etapa da mesa de abertura da 8\u00aa Siucs foi conduzida pelo cientista pol\u00edtico T\u00falio Velho Barreto, da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco (Fundaj), que apresentou uma palestra baseada nos resultados das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es para presid\u00eancia, Congresso e governos estaduais.<\/p>\n<p>Barreto considera que o adiamento da elei\u00e7\u00e3o presidencial refletiu a inseguran\u00e7a dos cidad\u00e3os em escolher o futuro governante no primeiro turno. A migra\u00e7\u00e3o de votos \u201cde \u00faltima hora\u201d, segundo ele, est\u00e1 ligada ao desejo de conhecer mais propostas dos dois principais candidatos, isto \u00e9, Dilma Roussef (PT) e Jos\u00e9 Serra (PSDB).<\/p>\n<p>Para tentar elucidar o cen\u00e1rio nacional, o cientista pol\u00edtico recorreu a um \u201craio-X\u201d das vota\u00e7\u00f5es por estado (e seus respectivos \u00cdndices de Desenvolvimento Humano, ou IDH). Apoiado em uma tabela publicada no site do jornal Folha de S\u00e3o Paulo, Barreto apontou que a prefer\u00eancia por Dilma \u00e9 observada nos locais com IDH menor, sobretudo nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. \u201cA economia ajuda a entender isso, com a percep\u00e7\u00e3o de que a continuidade da pol\u00edtica federal \u00e9 desejada pelos que mais sofrem desigualdade\u201d, avaliou, ressaltando o avan\u00e7o de Dilma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira vit\u00f3ria de Lula, em 2006.<\/p>\n<p>Avan\u00e7o que tamb\u00e9m foi registrado no plano parlamentar, com a predomin\u00e2ncia da base governista (PT e PMDB, sobretudo), tanto na C\u00e2mara, quanto no Senado. Este cen\u00e1rio, observa Barreto, pode ser bastante negativo para o candidato Jos\u00e9 Serra, caso eleito. \u201cEle precisaria descobrir como governar com um Congresso oposicionista. Seria uma experi\u00eancia \u00fanica na nossa hist\u00f3ria. Lula n\u00e3o tinha o apoio dos senadores, mas estava respaldado pelos deputados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia de crescimento da base governista est\u00e1 refletida, tamb\u00e9m, nos bons resultados do Partido Socialista Brasileiro (PSB) \u2013 na opini\u00e3o de T\u00falio Velho Barreto, \u201co que mais cresce no pa\u00eds\u201d. O cientista pol\u00edtica lembra, ali\u00e1s, que a sigla, fundada pelo pernambucano Miguel Arraes, estava em vias de extin\u00e7\u00e3o h\u00e1 apenas 12 anos. O exemplo de \u201creinven\u00e7\u00e3o\u201d, segundo ele, pode ser tomado pela direita, que teve alguns dos seus grandes l\u00edderes reprovados nas elei\u00e7\u00f5es 2010. Na lista, est\u00e3o Marco Maciel, Tasso Jeressati, Jarbas Vasconcelos, Arthur Virg\u00edlio e Her\u00e1clito Fortes.\u00a0<\/p>\n<p>Boa parte do reconhecimento do PSB como partido forte vem dos n\u00fameros de Pernambuco, com a reelei\u00e7\u00e3o de Eduardo Campos, que superou Jarbas Vasconcelos com mais de 82% dos votos v\u00e1lidos. Mais do que isso, conseguiu levar ao Senado os seus dois \u201capadrinhados\u201d, Armando Monteiro e Humberto Costa, e a esmagadora maioria para a C\u00e2mara Federal e a Assembleia Legislativa. Para T\u00falio Velho Barreto, tal desempenho revela \u201ca exist\u00eancia de um brilho pessoal\u201d do neto de Miguel Arraes, que o credencia a algumas ambi\u00e7\u00f5es e a desafios como l\u00edder regional e nacional e, ao mesmo tempo, coloca o estado como ator relevante na agenda pol\u00edtica nacional.<\/p>\n<p>Para o cientista pol\u00edtico, Eduardo Campos ter\u00e1 a oportunidade de provar esse novo <em>status <\/em>j\u00e1 nas pr\u00f3ximas semanas, apoiando os candidatos do PSB aos governos do Piau\u00ed, de Alagoas e da Para\u00edba, onde haver\u00e1 segundo turno. Mais adiante, ser\u00e1 hora de voos mais altos, como a tentativa de chegar \u00e0 presid\u00eancia ou vice-presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em 2014 ou 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tiago Cisneiros Em tempos de elei\u00e7\u00e3o, poucos conseguem pensar em algo que n\u00e3o tenha rela\u00e7\u00e3o com o futuro do pa\u00eds ou do estado. 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